Uma forma de Presença sobre a vida do nosso dia-a-dia e as ocorrências gerais de Almeirim, do Ribatejo e das posições culturais políticas e económicas do país. Livros e leituras, gente e comentários, numa forma de ser e de conhecer.
domingo, junho 24, 2007
Para o Namibe - Moçâmedes
A viagem, como já se mostrou, trouxe um tempo de reflexão e de lembranças antigas. Neste novo País - que deve merecer de todos um respeito e um sentimento de pertença - tudo é grande. O Deserto, aqui já transformado em estepe povoada de pequenos arbustos, estava verde. As chuvas chegaram e, com elas, verificou-se o desabrochar repentino das plantas e das flores.
Atravessarmos os rios Giraúl e Bero foi um momento de alegria pois a água sempre trouxe consigo mais vida.
A Cidade lá está, aninhada ao lado da Baía, estendendo-se para o areal desértico, agora já só composto por areias que se estendem para lá do Tombua - Porto Alexandre.
sábado, junho 23, 2007
As Festas de Almeirim
Estamos a chegar ao fim do período de Festas. Muita música e muita gente. Os stands das Associações, das empresas e casas comerciais são visitados e observados regularmente. O mesmo acontece com os espaços ocupados pelos artesãos. Os visitantes preferem passar, olhar e continuar. Poucos são os que param e entram pedindo esclarecimentos. Mas mesmo assim este ano marca uma diferença para nós, da Associação do Património: há muita gente que pára, entra e comenta. Ainda bem.
As festas da música estão recheadas de nomes. O denominado "Mickael Carreira" não me conveuceu. Os Da Weasel fazem muito barulho e as Can Can deviam ter aulas de música já que dançam e mexem bem.
Houve a apresentação do Livro de Gastronomia local. Recolha de António Claudio e Edição da Câmara Municipal para a Confraria Gastronómica. Não estive presente ao Lançamento feito Na Biblioteca. O facto de estar permanentemente no espaço da Associação do Património, à noite, e de desenvolver um trabalho de investigação sobre História Local, de dia, fez-me passar a data.
É engraçado constatar a intensidade de coisas que se pretende apresentar.
quinta-feira, junho 21, 2007
As Festas da Cidade de Almeirim
As Festas da Cidade tiveram o seu início a 16 de Junho. Comemora-se a elevação da vila a Cidade. Mais uma vez os espaços foram ocupados com a feira das Actividades Económicas e Culturais e com as habituais Tasquinhas organizadas pelas colectividades. Este ano foi de alarme - temia-se a acção da ASAE sobre os espaços de comes e bebes. Toda a gente procurou melhorar o seu serviço e cumprir regras mais correctas. Até que foi bom este alarme. É necessário que se tenham todos os cuidados quando se serve o público.
O dia da inauguração foi um dia molhado. Este verão parece que é uma estação tropical, pouco calor e muita chuva, é a diferença.
Mesmo com a chuva abriu o espaço. Com um Programa recheado de vedetas esperamos que seja agradável.
terça-feira, junho 19, 2007
Do Lubango ao Namibe - Angola 2007
A viagem para o mar representou um momento de contacto com a Natureza. Descer a Serra da Leba, onde a cada curva se revia um outro tempo e uma outra realidade, foi um espectáculo extraordinário. À medida que íamos descendo a paisagem sofria modificações, lembrando que passávamos da zona de altitude para as zons baixas do deserto.
Este foi um ano de muita chuva. Como já haviamos observado, a partir do avião, os rios que atravessámos transbordavam, as terras estavam cobertas de uma vegetação de um verde exuberante. Ao descer fomos passando por vários tipos de plantas, de acordo com a altitude e com a zona em que nos encontrávamos. A paisagem estava repleta de vida e de cor. As populações apareceiam junto à extrada para vender toda a espécie de produtos: leite azedo, carvão, lenha. Na base da Serra encontra-se um grande mercado onde se pode comprar uma grande variedade de produtos. E que grande que ele é.
Verificámos que as árvores de grande porte quase que já não existem. A necessidade de se conseguir rendimento para o dia-a-dia levou a que se aproveitasse a Natureza. Assim cortam as árvores para fazer carvão e para lenha. O Mutiati que se vê é de pequeno porte, ainda sem interesse económico.
Saídos da Serra penetrámos nas zonas planas em direcção à cidade do Namibe. O mar, íamos ver o mar.
quarta-feira, junho 13, 2007
Os arredores do Lubango - Humpata - Huíla - Tundavala
A visita ao Lubango não estaria completa se não fôssemos aos arredores. A ida à Huíla tinha um objectivo: visitar a Cascata. A estrada que lhe dá acesso, a que se dirige para a fronteira Sul estava em péssimo estado de conservação. Uma vez que se estão a desenvolver trabalhos de recuperação e de construção, os camions de grande tonelagem circulam carregados com os materiais para as obras o que provoca danos consideráveis no pavimento. Como a recuperação é lenta ou não se faz, os buracos são mais que muitos. A Cascata é simplesmente linda. O mesmo pudemos dizer da Tundavala. Dificuldades enormes na circulação pela estrada, mas uma paisagem de sonho. Aqui a Natureza está intacta. Ela aparece-nos com todo o seu poder mágico, com a força bruta do que não tem a interferência Humana.
Na Huíla observámos a paisagem humanizada dos seus campos, a simplicidade das suas casas. A Palanca, pequena localidade situada próximo da Humpata, mantém-se calma e pacífica. Pouca gente circula pelas suas ruas. As imagens constituem um prolongamento do que escrevemos.
terça-feira, junho 12, 2007
A Escola - Angola 2007
Como já referi anteriormente as crianças estão por todo o lado. Constituem um elemento importante nas estruturas urbanas e rurais. De acordo com a determinação governamental todos os pais têm a obrigação de mandar os filhos à Escola. Acontece que, como em qualquer outro lugar subdesenvolvido, aparecem resistências. Conta-se que houve famílias que exigiram contrapartidas pelo envio dos filhos para a Escola. Só depois de alguns debates é que as autoridades perceberam que o ir à Escola representava a perda de um elemento importante na economia familiar.
No Lubango como na Humpata e na Huíla, no Namibe como no Tombua, as estradas apresentam um movimento juvenil intenso. Crianças de bata branca, professores de bata branca, todos circulam de casa para a Escola e desta para casa.
sábado, junho 09, 2007
Lubango - Angola
Na cidade do Lubango a estadia permitiu o contacto com a nova realidade. Para além das visitas a casa do meu irmão Manuel, que tem um lugar de projecção, tivémos a oportunidade de visitar todos os lugares que nos pareceram de interesse. Não houve qualquer tipo de limitação e sempre nos deslocámos facilmente. Percorrer as ruas, subir à Senhora do Monte, ao Cristo Rei, tudo foi um redescobrir de antigos tempos. Hoje a cidade mostra a nova realidade do país. Devo confessar que me encontrava retraído no que se refere à segurança da família na rua. Andar pelas ruas com os acidentes dos espaços públicos, aqui notórios, não me parecia coisa segura. E ainda mais a tirar fotografias para recordação. Enfim, lá ultrapassei este sindrome e consegui realizar as visitas planeadas.
Descemos a antiga Rua do Picadeiro, hoje Hoji Ya Henda, visitámos a Catedral, a Senhora do Monte. O verde estava por todo o lado e com ele as flores exuberantes, de cores de sonho.
Em todas as ruas as pessoas movimentavam-se à procura do seu sustento. A venda ambulante, feita na maioria dos casos por mulheres, está em todo o espaço urbano.
Angola é o país das crianças e aqui, no Lubango, essa verdade é bem evidente. As mulheres, mães, transportam os filhos às costas e correm a cidade numa azáfama constante. Procuram vender de tudo para com isso conseguirem o dinheiro que lhes permitirá sustentar a famíla. É que os homens podem ter várias mulheres, constituir duas ou mais famílias, mas a que permanece em primeiro e único lugar é a famíla "de casa", a que é a verdadeira famíla. As outras são de passagem. Aí entra o trabalho das mães. Árduo e difícil, mas que demonstra uma coragem e uma tenacidade insuperáveis.
Saio ou não saio!?
Isto de se exercer o poder chamado local tem gaitas - para falar à moda de Almeirim. Agora ficámos a saber que o governo prepara legislação sobre os autarcas que estão envolvidos em causas judiciais - são arguidos em processos. O que admira não será a legislação sobre o assunto mas o facto de só agora se preocuparem com isso. É que, para o cidadão comum, a falta, ou faltas, ao cumprimento exacto do que é o dever e a obrigação dos que são mandatados para o exercício democrático de funções públicas, não pode ser considerada sem importância ou sem efeitos. Parece-me que o que estará em causa nestes casos não será o direito individual do eleito à presunção da inocência, mas sim os direitos dos cidadãos eleitores e cumpridores da Lei que não podem ser defraudados ou menosprezados.
Não é de admirar a Guerra dos autarcas, principalmente Presidentes de Câmara, à proposta.
Quando assistimos à continuada assumpção do poder local como se fosse uma propiedade pessoal, estes gritos não deixam de mostrar o valor em que têm as Leis e o seu cumprimento. Isso é para os outros.
quinta-feira, junho 07, 2007
A partida e o Lubango
O nosso voo para o Lubango estava agendado para as 7,00 H. Para lá estarmos a tempo saímos do Hotel às 5,30. O funcionário da Sinfic, o Sousa, veio buscar-nos. O caminho para o Aeroporto continuava complicado àquela hora. A zona de partida, nos voos internos, não era a mesma da que conheceramos à chegada.
Toda a gente que espera o chek-in está amontoada na sala. Cumprimos a fila para os bilhetes e a que se destinava à entrega da bagagem. Aí fomos revistados. Aliás, a mala que eu levava foi revistada, as outras a Nora e a Romina levaram-nas logo para a zona de despacho. Como tinhamos bilhetes de executiva mudámos de sala. A espera fazia-se agora num espaço mais arranjado, com cadeiras almofadadas, até havia um pequeno Bar.
As ditas 7,00 horas passaram e não houve chamada para embarque. Às sete e meia a Nora foi saber o que se passava com o voo. Voltou com a informação de que lhe haviam dito que a marcação das sete horas era para fazer com que os passageiros estivessem a horas no areroporto, a partida seria às 8,00. Aconteceu que se passaram as ditas oito horas, as oito e meia.
Às dez estávamos no avião para a partida. O Voo era na Gemini, empresa aérea do grupo Espírito Santo. Chegámos ao Lubango às onze. Durante o período de voo tive a oportunidade de observar a paisagem. Do alto viam-se os campos e os rios. A paisagem verde contrastava com o castanhos das fitas de água que serpenteavam em direcção ao mar. Este tempo de chuvas foi muito intenso.
No aeroporto da Mucanca, Lubango, o Manuel estava à nossa espera. De novo fomos assaltados por indivíduos que queriam levar as malas. Havia carregadores por todo o lado. Lá nos conseguimos safar e entrámos no carro.
A ida para a cidade mostrou mais uma das imagens da nova Angola. Casas por todo o lado e muitas crianças. Descendo a rua contavam-se centenas de crianças de bata branca.
- Vêm da Escola que é já ali à frente! - Disse o Manuel.
Seguramente Angola é o país das crianças.
segunda-feira, junho 04, 2007
Os Trabalhos na Zona do Paço Real - Almeirim
Continuam os trabalhos de instalação da nova canalização nas Ruas Almirante Reis e da Praça de Taxis, depois do que já se fez na Travessa do Mercado. Acontece que até ao momento não foram detectados vestígios de construções de grande dimensão no local que se abriu. Uma vez que o Paço de Almeirim foi mandado demolir por despacho do Principe Refente D. João, em 1791, era natural que os vestígios das suas fundações fossem detectados assim que se iniciassem as ditas obras. Ora tal não aconteceu na área em causa, o que permite concluir que a sua dimensão não ultrapassava a zona do Hospital e do Mercado.
As fotografias mostram as valas abertas, notando-se que a camada de terra com indícios de acção humana não ultrapassa os 40/50 cm, sendo que a vala desce até cerca dos 1,60m. Isto na Praça de Taxis.
Como os trabalhos vão continuar esperemos pelo que se possa revelar.
A Educação e a Disciplina
Realizaram-se provas de aferição. As escolas cumpriram a determinação ministerial. Ao que nos foi dito essas provas destinavam-se a avaliar das condições de aprendizagem e do ensino. O que foi de surpreender foi a declaração de responsáveis do Ministério da Educação de que os resultados não contavam. Isto quando se verificou que havia muitos erros de português nas provas, principalmente nas do 1º ciclo. Ouvi e não quis acreditar. Agora a Ministra vem repôr o óbvio, contam para a avaliação.
O que é de registar é esta continuada forma de entender a instrução e a aprendizagem. A Escola não é um lugar de passa-tempos, de bem estar e brincadeiras. A Escola tem que ser entendida como um lugar de trabalho, trabalho árduo e difícil que é necessário realizar. A aprendizagem exige muito trabalho, muito sacrifício e muita dedicação. Querer transformá-la num lugar sem regras e de bem estar não conduz a nada de bom. E isto é o que tem sido o seu funcionamento, daí o abandono escolar, o elevado nível de insucesso, a indisciplina.
Esperemos por melhores dias.
A chegada - Luanda
Luanda, a cidade capital, já não é o que era. Descemos a estrada do Aeroporto em direcção ao Quinaxixe. Ficámos no Hotel Trópico até ao dia seguinte, dia de partida para o Lubango.
Depois do jantar fomos com o Casseano, o meu irmão que lá se encontra, a dar uma volta pela Baixa e pela Ilha. No dia anterior tinha chovido. Foi uma chuva como só as que acontecem em Luanda, havia água por todo o lado, árvores caídas com os troncos serrados mas colocados nas bermas.
A estrada para a Ilha é um caos. Aliás a cidade pareceu-me o exemplo perfeito do caos: um caos organizado. A população aumentou aí umas cinco vezes. Há gente por todo o lado. O número de carros em circulação deve ter decuplicado.
O calor fazia-se sentir com toda a sua intensidade do mês de Março. Correr a ilha e observar a Marginal é um espectáculo de sonho, que mostra a grandeza da capital angolana.
Por todo o lado vimos a realização de trabalhos de recuperação e acrescentamento urbano. Luanda continua viva e em expansão.
sexta-feira, junho 01, 2007
Diário de uma visita - A partida
A partida para o Aeroporto de Lisboa foi engraçada e com surpresas. Saímos de Almeirim no dia anterior, 24 de Março, e fomos para a estação ferroviária de Santarém. Aí se apanhava o combóio para Lisboa. Acontece que sabíamos do horário de saída mas a dona Maria do Sameiro esqueceu-se disso. Quando estava a tirar as pesadas malas do carro do João, que nos levara, ouviu-se o anúncio da chegada do combóio para Lisboa. Não é que a Senhora sai a correr para o cais de embarque para subir? Ainda não tinha comprado bilhetes, aquele não era o combóio em que iríamos, ela levava o meu casaco na mão e nele estava a minha carteira com o dinheiro.
Do cais chamava-me para vir apanhar o combóio que ía partir, eu, junto à bilheteira, dizia-lhe que não era aquele e que tinha de comprar o bilhete mas ela é que tinha a minha carteira. Foi um espectáculo. Lá comprámos os bilhetes e seguimos naquele "trem".
Já em Santa Apolónia tivemos que alugar dois Taxis, as malas não cabiam num. Passámos a noite em casa da Romi, que também ía. Manhã cedo, pelas 6,00 horas, seguimos para o Aeroporto onde cumprimos as funções de apresentação, fiscalização e revista.
Chegámos a Luanda às 19,00 Horas. À saída do avião dá-se outro episódio viagistico: comecei a descer as escadas metálicas e, com medo de escorregar, concentrei a minha atenção nos degraus. Quando dei por mim estava na pista e alguém, funcionário local da TAP, dizia-me para seguir em direcção ao autocarro. Respondi que não ía, a minha filha e a minha mulher estavam lá atrás, nas escadas, onde tinha sido interrompida a descida, ficando à espera de outro transporte. Há uma funcionária, de lenço ao pescoço e telemóvel na mão que se aproxima e diz:
- Ficar à espera na sala de desembarque, aqui não pode ficar, siga para o autocarro.
Lá fui, muito contrariado.
Dia Mundial da Criança
Hoje é Dia da Criança, segundo a resolução da ONU, Dia Mundial. As crianças são o prazer da nosssa vida, a continuação do sonho de uma vida melhor.
Só que, por vezes, esse prazer desfaz-se no horror dos conflitos, das explorações da vida infantil.
Ouvi e vi a notícia: na Faixa de Gaza tropas israelitas abateram 3 crianças. O governo veio dizer que os soldados atiraram a três vultos. Mas as imagens dos corpos mostraram as crianças com sangue no peito, à altura do coração. Não se atira a vultos para se ser tão certeiro. Houve a clara intenção de matar e foram utilizadas armas de grande precisão de tiro. É uma pena constatar o que o ódio e a segregação podem fazer.
Façamos todos um voto - não, mil votos - para que a vida seja um direito das crianças.
Subscrever:
Mensagens (Atom)









